A Prova de Fogo, de James Dashner

R | 11/27/2012 01:01:00 PM | 0 comentários

Livro: A prova de fogo
Série: Maze Runner
Autor (a): James Dashner
Páginas: 400
Editora: V&R
Resenha por: Bruna
Comprar: Saraiva
Atenção, essa resenha/sinopse pode conter spoilers para quem ainda não leu o primeiro livro da série!
O Labirinto foi só o começo… o pior está por vir. Depois de superarem os perigos mortais do Labirinto, Thomas e seus amigos acreditam que estão a salvo em uma nova realidade. Mas a aparente tranquilidade é interrompida quando são acordados no meio da noite por gritos lancinantes de criaturas disformes – os Cranks – que ameaçam devorá-los vivos. Atordoados, os Clareanos descobrem que a salvação aparente na verdade pode ser outra armadilha, ainda pior que a Clareira e o Labirinto. E que as coisas não são o que aparentam. Para sobreviver nesse mundo hostil, eles terão de fazer uma travessia repleta de provas cruéis em um meio ambiente devastado, sem água, comida ou abrigo. Calor causticante durante o dia, rajadas de vento gélido à noite, desolação e um ar irrespirável – no Deserto do novo mundo até mesmo a chuva é a promessa de uma morte agonizante. Eles, porém, não estão sozinhos – cada passo é espreitado por criaturas famintas e violentas, que atacam sem avisar. Manipulação, mentiras e traições cercam o caminho dos Clareanos, mas para Thomas a pior prova será ter de escolher em quem acreditar.
Nas páginas finais do primeiro livro dava até pra imaginar um final feliz e ficar encucada pensando em como o autor ia conseguir desenrolar a história em mais dois livros. Eis que tivemos uma uma reviravolta final inesperada em Correr ou Morrer que é de deixar qualquer um morrendo de curiosidade para saber o que vai acontecer com Thomas e os Clareanos. Depois de conseguirem escapar do Laririnto mortal com algumas grandes casualidades, o leitor acredita – e os pobres personagens também – que algumas respostas finalmente serão dadas; mas não é isso que acontece. Quando escreveram que a série evocava os mistérios de Lost (o seriado), não estavam brincando. A prova de fogo dá pouquíssimas respostas e multiplica as dúvidas já existentes. Parece até que o autor tenta dialogar com o leitor através dos personagens e pede paciência, pois as respostas vão chegar. Só que no final.
“- Vocês podem pensar, ou pode parecer, que estejamos meramente testando a sua capacidade de sobreviver. Superficialmente, o Experimento Labirinto poderia ser erroneamente classificado dessa maneira. Mas eu lhes asseguro… não se trata apenas de sobrevivência e da vontade de viver. Essa é só uma parte deste experimento. O quadro maior é algo que vocês só entenderão no final.” – pág 67
O novo desafios dos – poucos – sobreviventes é atravessar um deserto escaldante, com quase nada de comida e água e enfrentar os perigos que aparecerem pela frente, ou ficar para trás e morrer. Um dos maiores perigos que eles enfrentam dessa vez são os Cranks, que pela descrição, me pareceram muito com zumbis. São seres humanos que contraíram a “Fúria”, uma doença que está varrendo a humanidade da Terra. Tenho que voltar a reforçar nessa resenha que eu adoro a forma como o autor se apropria de conceitos já existentes, como os zumbis, mas dá uma repaginada e um novo nome a eles. Isso faz o leitor a imergir no mundo criado, assim como o vocabulário super diferente dos Clareanos.
Nessa continuação temos um vislumbre um pouco maior do que no primeiro da CRUEL – uma espécie de empresa que está liderando os experimentos com os garotos. Continuamos sem saber suas motivações, seus objetivos e muito menos de que lado eles realmente estão. Uma coisa que eu gostei bastante é de ver que Thomas, o personagem principal, cresceu muito e se tornou um líder nato. Apesar de Minho ainda ser o líder da turma dos Clareanos, dá pra perceber que ele leva a opinião de Thomas em consideração e que ele o respeita muito. Esses garotos são praticamente uma família, de tanto tempo que passaram juntos e por tantos perrengues e armadilhas mortais que conseguiram sobreviver. O espírito de amizade e de time é percebido em cada atitude ou fala dos personagens.
“E nesse momento, sentado na escuridão, a cabeça apoiada contra a porta do caminhão, os pensamentos sobre o que tinha feito tumultuavam sua mente.
- Matei aquele cara – sussurou ele.” – pág 224

Com um ritmo tão frenético quanto o do primeiro volume, A prova de fogo não deixa nada a desejar se comparado com Correr ou morrer. Temos muita ação, traição, reviravoltas e até uma pitadinha de romance pra dar aquela descontraída de tanta desgraça. A qualidade do livro também continua impecável com uma bela capa e seguindo o mesmo padrão editorial, sem estragar a coleção como infelizmente já aconteceu com inúmeras séries aqui no Brasil. O único defeito desse livro: quando a gente termina, estamos mais perdidos do que quando começamos. A sorte é que o desfecho da série, A cura mortal, já foi lançado no Brasil, então não precisamos esperar pra saber o desfecho da história de Thomas, dos Clareanos e da CRUEL.
“Eram perguntas demais. Malditas perguntas de mértila, todas sem resposta.” – pág 344.

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